domingo, 20 de março de 2011
O meu destino... é o destino
Não sei para onde vou, nem tão pouco o que quero. Deixo-me apenas ir, como que uma folha de árvore que se deixa levar pela brisa, ondeando por um caminho desconhecido, contornando esquinas, sobrevoando pessoas. Infelizmente, sou bem mais pesado que uma folha. Como tal, não tenho a capacidade de voar, mas também me deixo ir, seguindo uma linha que eu próprio vou traçando com as minhas opções na vida, como se de um desenho se tratasse. Tento que essa linha seja a mais correcta pois, ao contrário de um desenho, não posso chegar lá com uma borracha e simplesmente apagar o traço desastrado. No fim, espero que todos apreciem o meu desenho, que o consigam interpretar e nele decifrar todo o meu percurso. Um desenho que ainda simples, esteja carregado de emoções, de vivências, de sorrisos, de tristezas, de cumplicidades, de encontros e desencontros, que esteja carregado de ti. De ti, que me acompanhaste até aqui, que comigo fizeste todo este percurso de mão dada. Não sei bem para onde vou, mas prometo continuar em frente e levar-te. O meu destino... é o destino. Seja ele qual fôr!!!
segunda-feira, 14 de março de 2011
Duas janelas abertas para o Mundo
Não há ninguém que não pense que o nascimento de um filho não vá ser um momento especial. Aliás, o mais especial de todos. Eu não fujo à regra. E tudo o que envolve esse momento assume uma dimensão mágica, gigante, capaz de nos fazer soltar aquele sorriso mais puro possível até ao final da nossa vida. Absorvemos cada segundo, cada segundo absorve-nos completamente.
Enquanto esperamos por ouvir o chorar de um bebé, ou por um médico ou enfermeira nos vir dar a boa nova, o tempo como que pára. Curiosamente, acabou por ser o factor temporal a dar um toque ainda mais especial ao nascimento da minha filha, tudo por causa de umas palavras proferidas pelo anestesista. Aproximando-se lentamente, disse-me de sorriso nos lábios: “Vou fazer um poema. Às 22h33, nasceu a Maria Inês”. Acho que ninguém imagina como vai ficar a saber que acabou de dar uma vida ao Mundo, mas aquelas palavras deixaram-me indefeso. Não disse nada. Claro que as palavras não foram tão especiais como o simples facto de saber que a minha Inês tinha nascido sã e saudável. No entanto, aquelas palavras improvisadas jamais serão esquecidas, a ponto de me fazerem escrever estas linhas, tão direitas num ecrã de computador, mas repletas de emoções descontroladas.
Num Mundo que nos testa a cada momento, de forma tão rápida como a que vivi o nascimento da minha filha, felizmente ela não tardou a abrir os olhos. É que não vivemos tempos em que andar de olhos fechados seja bom, tenhamos 30 minutos de vida, ou mesmo 30 anos.
E quando consegui desfrutar daqueles olhos puros, vi como que duas janelas abertas para o mundo: duas janelas ávidas de deixarem entrar todos os momentos que passam por nós muitas vezes sem darmos conta deles, como também de possibilitarem a partilha da essência da minha Inês para com o mundo. Afinal de contas, o olhar diz muito certo? E aquele primeiro olhar brilhante dela disse-me tudo. Disse-me que era o amor da minha vida.
Amo-te Inês
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